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Mostrando postagens de abril, 2016

UMA CIDADE EM AGONIA

O que aquelas pessoas olhavam com tanta curiosidade? Era um bolo de gente na ponte, todo mundo mirando o rio quase morto, todos ávidos diante de algum espetáculo, provavelmente bizarro. Ainda vendo a cena de longe, pensava no que poderia ser o foco de tanta atenção. Algum corpo, talvez. De repente, um viciado que escolheu aquelas pedras do rio para se acabar com outras pedras. Ou, quem sabe, mais uma daquelas famílias de capivaras que chegam às dezenas para assistir ao velório do Cachoeira... Não, não era nada disso. Cheguei mais perto e juntei-me aos curiosos. O que lhes tomava o tempo era um desesperado cardume de bagres africanos, que se debatiam, bloqueados entre as pedras e um amontoado de baronesas. As bocas abriam e fechavam, em um compasso de morte. E os passantes interrompiam a caminhada para observar o triste fim daqueles bagres. Não faltou quem desconsiderasse a podridão do rio, com seus ameaçadores coliformes, e imaginasse os peixes convertidos em moqueca. Alguém co...

CUIDADO, DISTRAÍDO!

O prefeito de Itabuna, Claudevane Leite (Vane do Renascer), vai encerrar o mandato da mesma forma que começou: titubeante. Vane não conduz seu próprio governo. Pelo contrário, é nitidamente conduzido, o que é triste e perigoso para um homem que sempre demonstrou ter princípios. Como vereador, Vane era firme, costumava se posicionar, tinha linha. No governo, tornou-se um boneco de ventríloquo, uma marionete. As questões que envolvem a comentada intenção de privatizar a Emasa traduzem bem a situação. Há poucos meses, o prefeito descartou a possibilidade de transferir a empresa à iniciativa privada, mas hoje ele dá sinais de que o "produto" está à venda. Ora pastor, ora mascate, Vane segue titubeando. Ninguém é capaz de dizer exatamente o que o prefeito quer, mas o fato é que essa nau à deriva preocupa, dado o estrago que pode causar. Vane precisa tomar cuidado, pois, manipulado ou não, é sobre ele que pesará a responsabilidade. Na hora de prestar contas, os manipulado...

ELES NÃO SABEM O QUE É VERGONHA

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De que matéria certos políticos são feitos? De que planeta eles são? Uma análise séria precisa ser feita para se entender comportamentos como o de grande parte do parlamento brasileiro, tão "bem" representado pelo Sr. Eduardo Messias Cunha. No comando da sessão que julgou a admissibilidade do processo de impeachment, Cunha foi chamado de ladrão, golpista, gângster, bandido e outros adjetivos vexatórios para quem sabe o que é passar vexame. Não para ele, que assimilava impávido cada ofensa, como se fosse dotado de um conversor mental que abrandasse o sentido de cada palavra. Cunha é, definitivamente, um caso de estudo. Não só ele, mas - como se viu no domingo - boa parte da patuleia que ocupa a Câmara dos Deputados. Gente que vive em outra dimensão, alheia aos problemas reais, ao mundo de verdade. Elementos que parecem não se preocupar com a opinião pública nem se importar com o papel ridículo que representam. Como não têm vergonha, resta-nos a vergonha alheia ao const...

A CORRUPÇÃO E O DAY AFTER

Em meio aos chatíssimos bate-bocas virtuais dos grupos de WhatsApp, uma amiga fez uma pergunta intrigante, com indisfarçável ironia: “o que vocês vão fazer na segunda-feira, quando a corrupção tiver acabado no Brasil?”. Como é fácil perceber, ela se referia ao day after, à segunda-feira após uma possível aprovação, pela Câmara dos Deputados, do relatório que recomenda o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A pergunta, cuja resposta obviamente já se sabe, reflete o sentimento de que todo esse processo não afeta a raiz do problema. Basta ver o fundamento do pedido de impeachment: as pedaladas fiscais (supostos empréstimos tomados pelo governo junto aos bancos oficiais, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal) e decretos referentes às metas fiscais que foram baixados sem anuência do legislativo, o que outras gestões fizeram sem maiores sobressaltos. Motivos bastante prosaicos, para não dizer questionáveis, diante do que paira nesse momento de Lava Jato, prisões de ma...

ME DÊ MOTIVO!

O apelo do síndico Tim Maia bem que serve aos algozes da claudicante presidente Dilma Rousseff. "Me dê motivo" para defenestrá-la do governo, pois nem é mais possível afirmar que se trata de tirar a mulher do poder. Ao que tudo indica, e a afoiteza do vice traquino resume bem, o poder e o respeito já se dissolveram faz tempo. Com ou sem motivos legalmente tipificados, a oposição afiou a guilhotina e aguarda salivando o momento de usá-la. Não importam os argumentos do advogado-geral da União, não vem ao caso em que circunstâncias se deram as pedaladas ou se a bicicleta tinha rodinhas... Está decidido que a lâmina vai descer. Na saraivada de ataques, durante a comissão que discutiu o relatório do impeachment, prevaleceu uma confusão na qual os argumentos que sustentaram o parecer do deputado Jovair Arantes foram desconsiderados por grande parte dos opositores. Aliás, em seu próprio texto o relator em muitos momentos deixou de lado a justificativa apresentada para o impedime...