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O velho, o novo e as frustrações

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É provável que muitos ainda não tenham compreendido a mensagem das urnas nestas eleições de 2016, nas quais os resultados surpreenderam até mesmo quem baseou suas estratégias em pesquisas qualitativas, aquelas que aferem com maior precisão os humores do eleitorado. Não se descarte um equívoco na interpretação desses dados. Desde 2013, cresce na sociedade uma rejeição aos políticos, que parece ser mais de ordem objetiva que subjetiva. Não é exatamente contra o que ele são (não obstante o cinismo da maioria nos irrite), mas contra o que (não) produzem. Não era pelos 20 centavos, mas pela falta de saúde, educação, segurança, transporte público de qualidade, ruas bem cuidadas. As qualitativas, naturalmente, detectaram esse movimento de insatisfação da sociedade, que muitos políticos tentaram capitalizar, combatendo no discurso uma tal “velha política” , mas em muitos casos sem conseguir se apresentar com as qualidades esperadas pelo eleitor. Ele não quer o novo pelo novo, m...

A CORRUPÇÃO E O DAY AFTER

Em meio aos chatíssimos bate-bocas virtuais dos grupos de WhatsApp, uma amiga fez uma pergunta intrigante, com indisfarçável ironia: “o que vocês vão fazer na segunda-feira, quando a corrupção tiver acabado no Brasil?”. Como é fácil perceber, ela se referia ao day after, à segunda-feira após uma possível aprovação, pela Câmara dos Deputados, do relatório que recomenda o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A pergunta, cuja resposta obviamente já se sabe, reflete o sentimento de que todo esse processo não afeta a raiz do problema. Basta ver o fundamento do pedido de impeachment: as pedaladas fiscais (supostos empréstimos tomados pelo governo junto aos bancos oficiais, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal) e decretos referentes às metas fiscais que foram baixados sem anuência do legislativo, o que outras gestões fizeram sem maiores sobressaltos. Motivos bastante prosaicos, para não dizer questionáveis, diante do que paira nesse momento de Lava Jato, prisões de ma...

OVERDOSE PARTIDÁRIA

Para que tantos partidos, ainda mais num cenário de evidente decrepitude ideológica? Não há ideias, mas interesses. O poder, à frente de todos eles. Ter um partido na mão implica em acesso à verba do fundo partidário, doações de campanha, propina de empreiteiras e, não menos importante, à lucrativa comercialização do tempo de televisão nas campanhas eleitorais. Nem precisa dizer que a maior fatia do dinheiro que irriga a gosmenta sopa de letrinhas da política nacional sai dos bolsos dos contribuintes. Isso num país que continua atrasado em quase tudo, principalmente nos serviços públicos mais essenciais, como saúde e educação. Quando você se sentir abandonado e humilhado na fila do SUS ou perceber que seu filho está indo para o ensino médio na escola pública e mal sabe ler, lembre-se que no Brasil a qualidade desses serviços nunca foi prioridade. Ao contrário do que canta o Canário: é tudo deles, nada nosso.

O PROBLEMA REAL

Neste Domingo de Páscoa, peço compreensão a Deus para entender o momento que o Brasil atravessa. Guerra (política), epidemias (dengue, zika e chikungunya), falta de água nesta cidade sem rumo... Sensação de Apocalipse, de que o mundo está para acabar a qualquer momento! Sobre a política, o que o momento nos diz? Possíveis interesses sub-reptícios disfarçados sob o manto do louvável combate à corrupção. Quem pode ser contra a condenação dos ladrões do erário? Mas estaremos inocentes ao acreditar que tudo se limita a essa cruzada do bem contra o mal? O medo de que a democracia sucumba é crescente e justificável. Juízes que se portam como inquisidores, transbordando parcialidade e paixões, somente despertam desconfiança. Mas a maioria da assistência se conforta com a fachada da causa justa. Está difícil conter o estouro da boiada e agora, aparentemente, só nos resta orar. Pedir a Deus pelo Brasil, para que este país enfim se torne uma nação de verdade, onde seus filhos sejam respeit...

HORA DE REPENSAR A POLÍTICA

Enquanto acompanhamos o agitado noticiário político-policial (isso lembra polícia política, de tenebrosas referências), o sentimento imediato é de que a limpeza em curso é inevitável. Chegou-se a um estado de coisas absurdo, com práticas dissociadas do interesse público, foco político mais direcionado ao poder e à sobrevivência do que à satisfação das demandas coletivas. É o jogo pelo jogo, algo totalmente desprovido de sentido. A limpeza é necessária, mas deve ser profunda. Não basta atacar alvos determinados, sem cortar o mal pela raiz, alcançando o problema onde ele começa. É preciso que a política se aproxime do Brasil real, pois a sociedade não aceita mais conviver com esse universo paralelo, onde há um verdadeiro autismo social. Políticos, de modo geral, estão preocupados em se manter no topo e ignoram a base. Enquanto o país sofre com uma combinação indigesta de recessão com inflação, com o governo sendo obrigado a cortar gastos sociais, o Congresso acha por bem quase tripli...

GETÚLIO ABRIU MÃO DA VIDA, LULA PERDEU A ALMA

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As comparações entre os ex-presidentes Getúlio Vargas e Lula são corriqueiras. Segundo o escritor Lira Neto, que escreveu a biografia do primeiro, são eles os dois maiores líderes da história do Brasil, e os feitos dos respectivos governos sustentam a afirmação. Getúlio criou a Petrobras, a Eletrobras, a Companhia Siderúrgica Nacional. Iniciou a mudança do perfil do que era então um país agrário e atrasado para uma nação industrializada e urbana. Lula tem na área social, com o combate à pobreza, sua principal marca. Em seu governo, mais de 30% dos brasileiros saíram da parte de baixo da linha da miséria. Getúlio chegou ao poder em 1930, por meio de um golpe de estado. Era um período de instabilidade política e pouco espaço para a democracia, salvo por um breve momento em que, nos idos de 1934, foi promulgada uma Constituição que acolheu direitos sociais importantes, mas os ventos democráticos não sopraram por muito tempo. Em 1937, veio o Estado Novo, com uma Constituição outorg...