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O que comove mais

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Como se pode classificar a atual pandemia? Tragédia? Hecatombe? Pesadelo? Genocídio? Talvez não haja nome possível para algo tão hediondo, que já matou, até o momento em que este texto é redigido, cerca de 600 mil pessoas em todo o planeta. Quase 77 mil no Brasil! Nada que já sofremos se compara a tamanha dor. São vidas e mais vidas indo embora, seres humanos que padecem em hospitais, a maioria destes sem estrutura para acolher pacientes em estado grave. Cenário de caos instalado em um mundo, e especialmente a um país, que aprende tarde demais a necessidade de uma saúde pública decente para todos, e não apenas para os que podem pagar.  Tão triste quanto as mortes, é perceber que elas já não comovem tanto. São números e mais números, em uma contabilidade macabra, fria e cruel. Em meio aos óbitos, muitos se preocupam justificadamente com a situação econômica. Mas é estranho que muitos desses pretendam desassociar preservação de vidas humanas e salvação de negócios, quando está clara ...

A raiz do problema

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Até pouco tempo o Brasil debatia com muito vigor a redução da maioridade penal, tema que tem tudo para voltar à tona em breve, considerando-se a direção dos ventos políticos. Não é segredo que a sociedade, atemorizada pelo número e perversidade dos crimes cometidos por adolescentes, defende tenazmente a punibilidade aplicada aos maiores de 16, em vez dos atuais 18. As discussões sobre o assunto normalmente enveredam-se para a questão da capacidade do jovem de 16 de entender o caráter ilícito de sua conduta e, consequentemente, da possibilidade de responder pela mesma. Parece claro que os adolescentes possuem tal consciência e, sob esse prisma, devem, evidentemente ser penalmente responsabilizados. O que é de se estranhar, no entanto, é o descompasso entre o desejo da punição e a doutrina da proteção integral, que é o cerne do direito brasileiro no que diz respeito à questão das crianças e adolescentes. Um sistema que encontra respaldo no artigo 227 da Constituição Federal, o qual a...

O PAÍS SEM MÁSCARAS

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Nada de baianas estilizadas, mulatas rebolantes ou fitinhas do Senhor do Bonfim. Turista que chega ao Brasil nesses dias tormentosos pode ser recebido mais na linha do "a vida como ela é" e com faixas para intimidar gringo, tipo "Welcome to hell" . Diga-se de passagem, esta faixa foi apresentada por policiais cariocas, em protesto contra o atraso de seus salários. No Rio de Janeiro, que em poucos dias sediará as Olimpíadas, está bem assim. O Estado falido anuncia que as viaturas policiais poderão parar por falta de combustível. Em um hospital, bandidos resgatam perigoso traficante. Na Avenida Brasil, cidadãos são assassinados. Os ufanistas poderão atribuir tudo isso a um alarmismo, sabotagem ou, quiçá, ao sempre lembrado complexo de vira-lata. Mas mostrar ao mundo o Brasil de verdade é mais uma tentativa de provocar mudança pela vergonha de nos ver expostos tais como somos, com nossas feridas e deformações. O Brasil é um país belíssimo, com grande potencial,...

A CORRUPÇÃO E O DAY AFTER

Em meio aos chatíssimos bate-bocas virtuais dos grupos de WhatsApp, uma amiga fez uma pergunta intrigante, com indisfarçável ironia: “o que vocês vão fazer na segunda-feira, quando a corrupção tiver acabado no Brasil?”. Como é fácil perceber, ela se referia ao day after, à segunda-feira após uma possível aprovação, pela Câmara dos Deputados, do relatório que recomenda o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A pergunta, cuja resposta obviamente já se sabe, reflete o sentimento de que todo esse processo não afeta a raiz do problema. Basta ver o fundamento do pedido de impeachment: as pedaladas fiscais (supostos empréstimos tomados pelo governo junto aos bancos oficiais, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal) e decretos referentes às metas fiscais que foram baixados sem anuência do legislativo, o que outras gestões fizeram sem maiores sobressaltos. Motivos bastante prosaicos, para não dizer questionáveis, diante do que paira nesse momento de Lava Jato, prisões de ma...

OVERDOSE PARTIDÁRIA

Para que tantos partidos, ainda mais num cenário de evidente decrepitude ideológica? Não há ideias, mas interesses. O poder, à frente de todos eles. Ter um partido na mão implica em acesso à verba do fundo partidário, doações de campanha, propina de empreiteiras e, não menos importante, à lucrativa comercialização do tempo de televisão nas campanhas eleitorais. Nem precisa dizer que a maior fatia do dinheiro que irriga a gosmenta sopa de letrinhas da política nacional sai dos bolsos dos contribuintes. Isso num país que continua atrasado em quase tudo, principalmente nos serviços públicos mais essenciais, como saúde e educação. Quando você se sentir abandonado e humilhado na fila do SUS ou perceber que seu filho está indo para o ensino médio na escola pública e mal sabe ler, lembre-se que no Brasil a qualidade desses serviços nunca foi prioridade. Ao contrário do que canta o Canário: é tudo deles, nada nosso.

O PROBLEMA REAL

Neste Domingo de Páscoa, peço compreensão a Deus para entender o momento que o Brasil atravessa. Guerra (política), epidemias (dengue, zika e chikungunya), falta de água nesta cidade sem rumo... Sensação de Apocalipse, de que o mundo está para acabar a qualquer momento! Sobre a política, o que o momento nos diz? Possíveis interesses sub-reptícios disfarçados sob o manto do louvável combate à corrupção. Quem pode ser contra a condenação dos ladrões do erário? Mas estaremos inocentes ao acreditar que tudo se limita a essa cruzada do bem contra o mal? O medo de que a democracia sucumba é crescente e justificável. Juízes que se portam como inquisidores, transbordando parcialidade e paixões, somente despertam desconfiança. Mas a maioria da assistência se conforta com a fachada da causa justa. Está difícil conter o estouro da boiada e agora, aparentemente, só nos resta orar. Pedir a Deus pelo Brasil, para que este país enfim se torne uma nação de verdade, onde seus filhos sejam respeit...

GETÚLIO ABRIU MÃO DA VIDA, LULA PERDEU A ALMA

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As comparações entre os ex-presidentes Getúlio Vargas e Lula são corriqueiras. Segundo o escritor Lira Neto, que escreveu a biografia do primeiro, são eles os dois maiores líderes da história do Brasil, e os feitos dos respectivos governos sustentam a afirmação. Getúlio criou a Petrobras, a Eletrobras, a Companhia Siderúrgica Nacional. Iniciou a mudança do perfil do que era então um país agrário e atrasado para uma nação industrializada e urbana. Lula tem na área social, com o combate à pobreza, sua principal marca. Em seu governo, mais de 30% dos brasileiros saíram da parte de baixo da linha da miséria. Getúlio chegou ao poder em 1930, por meio de um golpe de estado. Era um período de instabilidade política e pouco espaço para a democracia, salvo por um breve momento em que, nos idos de 1934, foi promulgada uma Constituição que acolheu direitos sociais importantes, mas os ventos democráticos não sopraram por muito tempo. Em 1937, veio o Estado Novo, com uma Constituição outorg...