UMA CIDADE EM AGONIA
O que aquelas pessoas olhavam com tanta curiosidade? Era um bolo de gente na ponte, todo mundo mirando o rio quase morto, todos ávidos diante de algum espetáculo, provavelmente bizarro.
Ainda vendo a cena de longe, pensava no que poderia ser o foco de tanta atenção. Algum corpo, talvez. De repente, um viciado que escolheu aquelas pedras do rio para se acabar com outras pedras. Ou, quem sabe, mais uma daquelas famílias de capivaras que chegam às dezenas para assistir ao velório do Cachoeira...
Não, não era nada disso.
Cheguei mais perto e juntei-me aos curiosos. O que lhes tomava o tempo era um desesperado cardume de bagres africanos, que se debatiam, bloqueados entre as pedras e um amontoado de baronesas. As bocas abriam e fechavam, em um compasso de morte. E os passantes interrompiam a caminhada para observar o triste fim daqueles bagres.
Não faltou quem desconsiderasse a podridão do rio, com seus ameaçadores coliformes, e imaginasse os peixes convertidos em moqueca. Alguém com inegável tino comercial previu que logo aqueles condenados estariam na feira livre mais próxima, confirmando o adágio de que morre o boi para a alegria do urubu...
Mas tinha também gente olhando tudo com espanto e certa tristeza. A expressão parecia traduzir o desalento de quem sofre com uma cidade que não tem água pra beber, mas mata um rio com seu esgoto, de quem lamenta a falta de perspectiva, as falsas mudanças e, acima de tudo, as velhas novidades.
Olhei mais uma vez aqueles pobres peixes no leito do rio, o seu fétido e lamacento leito de morte. Como a cena agonizante remetia à própria cidade e aos suas dores!
Aparentemente sem rumo e sem saídas, sedenta, asfixiada e triste, Itabuna é como uma poça em um rio moribundo, com um povo desiludido, que clama por socorro. Nessa lamentável e preocupante situação, só nos resta pedir que Deus a livre das redes dos velhos pescadores de águas turvas!
Ainda vendo a cena de longe, pensava no que poderia ser o foco de tanta atenção. Algum corpo, talvez. De repente, um viciado que escolheu aquelas pedras do rio para se acabar com outras pedras. Ou, quem sabe, mais uma daquelas famílias de capivaras que chegam às dezenas para assistir ao velório do Cachoeira...
Não, não era nada disso.
Cheguei mais perto e juntei-me aos curiosos. O que lhes tomava o tempo era um desesperado cardume de bagres africanos, que se debatiam, bloqueados entre as pedras e um amontoado de baronesas. As bocas abriam e fechavam, em um compasso de morte. E os passantes interrompiam a caminhada para observar o triste fim daqueles bagres.
Não faltou quem desconsiderasse a podridão do rio, com seus ameaçadores coliformes, e imaginasse os peixes convertidos em moqueca. Alguém com inegável tino comercial previu que logo aqueles condenados estariam na feira livre mais próxima, confirmando o adágio de que morre o boi para a alegria do urubu...
Mas tinha também gente olhando tudo com espanto e certa tristeza. A expressão parecia traduzir o desalento de quem sofre com uma cidade que não tem água pra beber, mas mata um rio com seu esgoto, de quem lamenta a falta de perspectiva, as falsas mudanças e, acima de tudo, as velhas novidades.
Olhei mais uma vez aqueles pobres peixes no leito do rio, o seu fétido e lamacento leito de morte. Como a cena agonizante remetia à própria cidade e aos suas dores!
Aparentemente sem rumo e sem saídas, sedenta, asfixiada e triste, Itabuna é como uma poça em um rio moribundo, com um povo desiludido, que clama por socorro. Nessa lamentável e preocupante situação, só nos resta pedir que Deus a livre das redes dos velhos pescadores de águas turvas!
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