O que comove mais
Como se pode classificar a atual pandemia? Tragédia? Hecatombe? Pesadelo? Genocídio? Talvez não haja nome possível para algo tão hediondo, que já matou, até o momento em que este texto é redigido, cerca de 600 mil pessoas em todo o planeta. Quase 77 mil no Brasil!
Nada que já sofremos se compara a tamanha dor. São vidas e mais vidas indo embora, seres humanos que padecem em hospitais, a maioria destes sem estrutura para acolher pacientes em estado grave. Cenário de caos instalado em um mundo, e especialmente a um país, que aprende tarde demais a necessidade de uma saúde pública decente para todos, e não apenas para os que podem pagar.
Tão triste quanto as mortes, é perceber que elas já não comovem tanto. São números e mais números, em uma contabilidade macabra, fria e cruel.
Em meio aos óbitos, muitos se preocupam justificadamente com a situação econômica. Mas é estranho que muitos desses pretendam desassociar preservação de vidas humanas e salvação de negócios, quando está clara a interligação de tudo isso.
Nas redes sociais, chamou atenção o vídeo de um empresário que, aos prantos, apelou ao prefeito de Salvador para que autorizasse a reabertura dos shoppings. Desespero compreensível, é lógico. No entanto, muitos se comoveram muito mais com aquele apelo do que com as muitas mortes diárias causadas pelo coronavírus.
Longe de querer menosprezar a crise econômica que já se instalou no rastro da pandemia, mas apenas procurando refletir o que nos comove com maior intensidade. Se milhares de vidas perdidas ou negócios abalados.

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