A POLÍTICA COMO ELA É
Quem estudou a história recente do Brasil sabe que, em 1985, nos estertores da ditadura militar, a presidência da república foi disputada por Tancredo Neves (PMDB) e Paulo Salim Maluf (PDS), via eleição indireta.
No imaginário maniqueísta, Tancredo, que venceu, mas morreu antes de tomar posse, eternizou-se como um dos símbolos do sepultamento dos anos de chumbo e da reconstrução da democracia. Já Maluf era o aliado dos militares, andava de mãos dadas com os reacionários.
Em política, porém, não vigora muito a regra de "cada um nos seu quadrado". As conversas e as misturas acontecem com maior liberdade do que se possa imaginar.
O livro "Ditadura Acabada", quinto de uma série sobre o tema, produzida com requinte de apuração jornalística e pesquisa histórica por Elio Gaspari, resgata muito da política como ela é, principalmente no topo da cadeia alimentar, longe do radicalismo e que se digladiam os militantes. O trecho abaixo é elucidativo:
"Apesar da derrota de seu candidato ao governo de São Paulo em 1982, Maluf elegeu-se deputado federal com a maior votação já ocorrida no país (673 mil votos). Chegou a Brasília liderando uma bancada interestadual resultante dos mimos que aspergira pelo país afora. Mário Andreazza, seu rival, queixava-se: "Um parlamentar não precisa procurar o Banco do Estado de São Paulo, o Banespa vai a ele". Na disputa pelo governo de Minas Gerais, por exemplo, o candidato do PDS e adversário de Tancredo Neves era Eliseu Resende, fiel escudeiro de Andreazza. Sua vitória daria ao ministro do Interior uma boa vantagem sobre Maluf. Quando Tancredo começou a sofrer com a falta de recursos para material de propaganda e veículos para fazer sua campanha, o sobrinho Francisco Dornelles levo seu desassossego para Golbery. O general cuidou do assunto e Maluf franqueou a Tancredo uma gráfica e uma frota de Kombis. Para ele, era melhor ter um oposicionista no palácio da Liberdade do que um aliado de Andreazza".
No imaginário maniqueísta, Tancredo, que venceu, mas morreu antes de tomar posse, eternizou-se como um dos símbolos do sepultamento dos anos de chumbo e da reconstrução da democracia. Já Maluf era o aliado dos militares, andava de mãos dadas com os reacionários.
Em política, porém, não vigora muito a regra de "cada um nos seu quadrado". As conversas e as misturas acontecem com maior liberdade do que se possa imaginar.
O livro "Ditadura Acabada", quinto de uma série sobre o tema, produzida com requinte de apuração jornalística e pesquisa histórica por Elio Gaspari, resgata muito da política como ela é, principalmente no topo da cadeia alimentar, longe do radicalismo e que se digladiam os militantes. O trecho abaixo é elucidativo:
"Apesar da derrota de seu candidato ao governo de São Paulo em 1982, Maluf elegeu-se deputado federal com a maior votação já ocorrida no país (673 mil votos). Chegou a Brasília liderando uma bancada interestadual resultante dos mimos que aspergira pelo país afora. Mário Andreazza, seu rival, queixava-se: "Um parlamentar não precisa procurar o Banco do Estado de São Paulo, o Banespa vai a ele". Na disputa pelo governo de Minas Gerais, por exemplo, o candidato do PDS e adversário de Tancredo Neves era Eliseu Resende, fiel escudeiro de Andreazza. Sua vitória daria ao ministro do Interior uma boa vantagem sobre Maluf. Quando Tancredo começou a sofrer com a falta de recursos para material de propaganda e veículos para fazer sua campanha, o sobrinho Francisco Dornelles levo seu desassossego para Golbery. O general cuidou do assunto e Maluf franqueou a Tancredo uma gráfica e uma frota de Kombis. Para ele, era melhor ter um oposicionista no palácio da Liberdade do que um aliado de Andreazza".

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