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Mostrando postagens de março, 2016

OLHA QUEM ESTÁ FALANDO

O tal do dedo sujo é danado pra apontar o erro alheio, ignorando completamente a própria sujeira. Por falar em dedo, vem à mente a lembrança daquele caso em que médicos faziam moldes com suas digitais para enganar o sistema eletrônico de controle de ponto nos respectivos locais de trabalho... Isso enquanto embolsavam dinheiro público a título de salário pelo que não faziam. Tem safadeza maior que essa? Muitos desses médicos "trabalham" em quatro ou cinco lugares, sem prestar um atendimento decente em nenhum deles. São os mesmos que se indignaram quando o governo resolveu trazer profissionais de outros países para suprir a carência de doutores, principalmente nas cidades mais afastadas dos grandes centros. Se o vigor que essa turma imprime para defender privilégios e ganhos ilícitos fosse aplicado ao interesse público, esse país seria outro. Agora, surge a denúncia de que 145 servidores do Estado da Bahia apresentaram atestados falsos para se locupletar do dinheiro público...

CARAMBA, 22 ANOS!

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Para não dizer que não falei das flores, pois às vezes a gente esquece delas: hoje faz 22 anos que, numa curva do destino, fui surpreendido por uma paixão. Queria apenas um bico, um trabalhinho quebra-galho pra pagar os livros da faculdade de direito. E caí na besteira de ir parar em uma redação de jornal. Entre os escribas do "Agora", invocados em suas velhas Olivetti, sob a fumaça do saudoso Juarez Vicente, tomei gosto por essa labuta de escrevinhar. Confesso que sempre preferi a redação, nunca fui repórter na essência. O prazer era vinha de esculpir frases, construir textos, contar histórias. Mais observador do que perguntador. O jornalismo tirou meu foco do direito. Mergulhei naquele universo e passei a empurrar a faculdade com a barriga. O que deveria ser um bico ganhou a atenção principal, mesmo sem merecer, como certas mulheres que bagunçam a vida do sujeito. Essa curva do destino às vezes me confunde. Deveria ter entrado nela ou desviado? O fato é que nunca sa...

OVERDOSE PARTIDÁRIA

Para que tantos partidos, ainda mais num cenário de evidente decrepitude ideológica? Não há ideias, mas interesses. O poder, à frente de todos eles. Ter um partido na mão implica em acesso à verba do fundo partidário, doações de campanha, propina de empreiteiras e, não menos importante, à lucrativa comercialização do tempo de televisão nas campanhas eleitorais. Nem precisa dizer que a maior fatia do dinheiro que irriga a gosmenta sopa de letrinhas da política nacional sai dos bolsos dos contribuintes. Isso num país que continua atrasado em quase tudo, principalmente nos serviços públicos mais essenciais, como saúde e educação. Quando você se sentir abandonado e humilhado na fila do SUS ou perceber que seu filho está indo para o ensino médio na escola pública e mal sabe ler, lembre-se que no Brasil a qualidade desses serviços nunca foi prioridade. Ao contrário do que canta o Canário: é tudo deles, nada nosso.

O PROBLEMA REAL

Neste Domingo de Páscoa, peço compreensão a Deus para entender o momento que o Brasil atravessa. Guerra (política), epidemias (dengue, zika e chikungunya), falta de água nesta cidade sem rumo... Sensação de Apocalipse, de que o mundo está para acabar a qualquer momento! Sobre a política, o que o momento nos diz? Possíveis interesses sub-reptícios disfarçados sob o manto do louvável combate à corrupção. Quem pode ser contra a condenação dos ladrões do erário? Mas estaremos inocentes ao acreditar que tudo se limita a essa cruzada do bem contra o mal? O medo de que a democracia sucumba é crescente e justificável. Juízes que se portam como inquisidores, transbordando parcialidade e paixões, somente despertam desconfiança. Mas a maioria da assistência se conforta com a fachada da causa justa. Está difícil conter o estouro da boiada e agora, aparentemente, só nos resta orar. Pedir a Deus pelo Brasil, para que este país enfim se torne uma nação de verdade, onde seus filhos sejam respeit...

HORA DE REPENSAR A POLÍTICA

Enquanto acompanhamos o agitado noticiário político-policial (isso lembra polícia política, de tenebrosas referências), o sentimento imediato é de que a limpeza em curso é inevitável. Chegou-se a um estado de coisas absurdo, com práticas dissociadas do interesse público, foco político mais direcionado ao poder e à sobrevivência do que à satisfação das demandas coletivas. É o jogo pelo jogo, algo totalmente desprovido de sentido. A limpeza é necessária, mas deve ser profunda. Não basta atacar alvos determinados, sem cortar o mal pela raiz, alcançando o problema onde ele começa. É preciso que a política se aproxime do Brasil real, pois a sociedade não aceita mais conviver com esse universo paralelo, onde há um verdadeiro autismo social. Políticos, de modo geral, estão preocupados em se manter no topo e ignoram a base. Enquanto o país sofre com uma combinação indigesta de recessão com inflação, com o governo sendo obrigado a cortar gastos sociais, o Congresso acha por bem quase tripli...

MUDANÇA INEVITÁVEL

É muito difícil negar que a artilharia da Operação Lava Jato está intencionalmente direcionada ao governo e ao PT. Não que inexistam motivos para tanto, mas quando a Polícia Federal e o MPF escolhem o que investigar, e depois o que levar ao público, demonstram o direcionamento de suas baterias. O PT merece toda reprimenda pelas falcatruas em que se meteu. Não importa se o fez para sustentar a governabilidade ou se, entusiasmada com a facilidade do acesso, gente do governo aproveitou a deixa para também se beneficiar no campo pessoal. Pouco importa até mesmo se "sempre foi assim", pois o fato é que precisa deixar de ser, urgentemente, e se a bomba caiu no colo do PT, azar o dele. É plausível acreditar que a rapinagem não terá fim, com o Partido dos Trabalhadores ou sem ele. O "sempre foi assim" traz implícita a mensagem de que "sempre será", mas a esperança é que, após o escárnio ter vencido o cinismo, como disse a ministra Carmem Lúcia, a justiça s...