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Mostrando postagens de junho, 2016

O PAÍS SEM MÁSCARAS

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Nada de baianas estilizadas, mulatas rebolantes ou fitinhas do Senhor do Bonfim. Turista que chega ao Brasil nesses dias tormentosos pode ser recebido mais na linha do "a vida como ela é" e com faixas para intimidar gringo, tipo "Welcome to hell" . Diga-se de passagem, esta faixa foi apresentada por policiais cariocas, em protesto contra o atraso de seus salários. No Rio de Janeiro, que em poucos dias sediará as Olimpíadas, está bem assim. O Estado falido anuncia que as viaturas policiais poderão parar por falta de combustível. Em um hospital, bandidos resgatam perigoso traficante. Na Avenida Brasil, cidadãos são assassinados. Os ufanistas poderão atribuir tudo isso a um alarmismo, sabotagem ou, quiçá, ao sempre lembrado complexo de vira-lata. Mas mostrar ao mundo o Brasil de verdade é mais uma tentativa de provocar mudança pela vergonha de nos ver expostos tais como somos, com nossas feridas e deformações. O Brasil é um país belíssimo, com grande potencial,...

BRASIL, QUAL O SEU OLHAR?

Há muito eu penso que o Brasil é um país onde tudo conspira para as coisas darem errado. A corrupção desenfreada e orgânica responde em grande parte por esta constatação, pois o dinheiro público que irriga contas indevidas é o mesmo que falta para melhorar o salário do professor, a estrutura das escolas, oferecer um serviço de saúde decente e assegurar oportunidades melhores aos jovens. Todos os direitos sociais assegurados pelo artigo 6º da Constituição Federal são permanentemente sabotados, não apenas pela roubalheira, mas por uma visão deturpada de sociedade, que parece condescendente com as mazelas. A imagem do brasileiro que ri diante dos problemas não disfarça a condição de povo que olha no espelho, mas não consegue se enxergar como personagem do drama. É como se fôssemos todos meros espectadores. Nesse cenário, os corruptos, violentos, intolerantes, pais omissos ou motoristas imprudentes são sempre os outros. De dedo em riste os apontamos, pois não nos reconhecemos como ator...

O QUÃO TERRÍVEIS NÓS PODEMOS SER

Situações extremas podem levar seres humanos a atitudes que seriam impensadas em condições normais. Muitos assistiram àquele antigo filme sobre um acidente aéreo nos Andes, em que os sobreviventes, no desespero da fome, usaram a carne das vítimas como alimento. Absurdo? Nada! É apenas humano, demasiadamente humano, como diria Nietzsche. Livros como "Ensaio sobre a cegueira" e até séries como "The Walking Dead" demonstram como as circunstâncias mudam os comportamentos, revelando verdadeiras feras que habitam no interior de pacatos cidadãos. Pela sobrevivência, ou até por muito menos, cometem-se as mais abjetas atrocidades. Limites desaparecem e a lei da selva se impõe. Nossa querida Itabuna vive dias assim. Em uma seca que materializa catastróficas previsões,  noticia-se o primeiro caso de tentativa de homicídio por causa de água. E é sintomático que o fato não tenha como protagonistas pessoas sedentas pelo líquido ora tão escasso, mas dois comerciantes, sedentos...

A MALANDRAGEM QUE NOS RODEIA

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Se tem uma coisa que me desagrada profundamente é algo chamado subterfúgio. Venha direto ao assunto, diga o que você quer com honestidade e a gente pode conversar numa boa. Mas não me apareça com linhas tortuosas ou, como dizia o aluno da escolinha de humor, "não me venha com chorumelas". O problema é que a sinceridade anda em desprestígio em alguns setores. No marketing, por exemplo, ela é vista com maus olhos, e não apenas naquela especialidade que visa ludibriar incautos para eleger salafrários travestidos de salvadores da pátria e fieis depositários das chaves do paraíso na terra. Qualificados em matéria de inconveniência, os profissionais de telemarketing estão entre os que usam tais artifícios. O sujeito telefona para sua casa e começa a lhe fazer perguntas, sem dizer objetivamente o que quer, toma seu tempo e, quando você se distrai, olha a facaaaa!... Tenho intolerância a esse comportamento e exijo papo reto, tanto em relações comerciais como pessoais. Por iss...